Galhofas Amorosas – 1
Chica e José conversam pela Internet.
- Ei, José! Tudo bem?
- Tudo bem, e contigo?
- Meu pé dói. (Eu gostava mais quando respondia “Tudo bem”!)Tá muito estranho e colorido com cores do mal: verde escuro, azul escuro, roxo e preto. Meu pé é um livro do Stephen King!
- É, eu ia dizer um dia das bruxas. Só faltou abóbora. Você foi ao médico ver esse seu pé de Frodo?
- Eu dei um dia para ele respirar. Dei outro hoje, mas não melhora!
- Vai ver ele morreu sufocado. Seu aniversário está chegando, posso te dar um pé de cera.
- Eu aceito o pé de cera. Mas você pode deixá-lo em Aparecida?
- Para ele ficar a um passo do Paraíso?
- Não. As pessoas mandam fazer pés, braços, cabeças de cera e deixam num santuário para agradecer as graças.
- Sério? Que coisa mais filme de terror. Quem será que teve essa idéia?
- A idéia eu não sei, mas tive esses dias um arranca rabo com um ex.
- Quem?
- O Carlinhos.
- Não sei quem é.
- O dos olhos azuis.
- Lembrei. O que aconteceu?
- Ele virou pastor.
- E vocês estavam conversando sobre a bispa Sônia?
- Não, eu fui má mesmo!
- Hum… e… você quer se confessar? rs
- Ele ficou bravo porque fiz pouco dos laços que Jesus mantém conosco! (E também porque eu fiquei chamando Jesus de “Rêssús”. Sabe? Às vezes, eu não sou legal)
- Entendi.
- E a mulher dele é uma das mulheres mais feias que vi na vida. Não é despeito. Ela é mesmo muito feia. Ele disse que o alicerce do amor deles é o coração de Jesus (Eu ouvi isso).
- É mesmo? Eu fico espantado com essas pessoas que encontram Jesus, porque elas se desencontram do resto do mundo. Também tenho dó dele.
- Do Carlos?
- Não, de Jesus. Ele não merece a imensidade de coisas que a ele atribuem. Começa quando a gente vê uma pessoa muito feia. Logo alguém fala: “Jesus!”
- Essa foi péssima.
- Desculpa.
- Mas não é só com o Carlos. Minha vida amorosa é muito ruim. (Eu já fui apaixonada por um gay. E por um beneditino)
- Beneditino? Tipo um monge?
- Tipo.
- Posso falar uma coisa?
- Pode.
- Acho que Jesus também é o alicerce do seu coração!
Plágio
Ao amigo Bruno D’Ângelo
A poesia é um caco recolhido
De dentro de uma bacia de insônias
Eu invejo os teus cacos
Porque eles não são opacos
Eu invejo os teus cacos
Porque eles são afiados
E tento repeti-los
Currupaco, paco
Primeiro dia…
Mais de 24 horas correram desde que eu assumi o compromisso de escrever diariamente nesse blog. Assumo que começo mal, mas creio que nem sem sempre o primeiro dia quer dizer muita coisa em relação ao futuro de qualquer situação.
Há aproximadamente um ano viajei sozinho pela primeira vez. Estava de férias e com um pouco de grana no bolso, resolvi ir para Olinda um pouco depois do Carnaval. Aterrissei no aeroporto de Recife por volta de 5h, o sol já tinha nascido e o dia estava quente. “Não poderia ser melhor”, pensei. Entrei num táxi e fui direto para o albergue.
Cheguei em 15 minutos. O lugar ficava praticamente de frente para o mar, a entrada era um portãozinho de madeira. Atrás dele, um corredor largo que terminava numa área coberta por um telhado de palha com uma piscina ao fundo. Quatro ou cinco redes ficavam penduradas nas colunas que seguravam o telhado.
Isso tudo, no entanto, eu enxerguei enquanto estava do lado de fora. Demorou um bom tempo até que alguém do albergue acordasse para me abrir o portão. Eu tinha chegado muito cedo, afinal de contas. Nenhum dos hóspedes estava acordado e a minha diária só começaria a partir de meio-dia. Resolvi ficar na rede até poder entrar em um dos quartos.
Recebi um sinal verde do recepcionista: o cara com quem eu dividiria o quarto acordou. Entrei. Era um gringo com um laptop. Típico mochileiro. Tentei puxar assunto, mas o cara não estava muito a fim de falar. Ia embora naquele dia. Caguei para o mau humor do cara e fui dar uma volta.
Subi e desci todas as ladeiras da Olinda histórica e, no caminho, perdi uns sete quilos só com o suadouro. Estava muito calor. Voltei para o albergue por volta do meio-dia para tomar um banho. Pasmei um pouco na área que estava com as redes. Novamente só me deparei com gringos mal encarados e mal humorados. Um deles brigava com a namorada. Ou com a irmã. Não dava para saber o que era. Era mulher, sem dúvida.
Fiquei de saco cheio daquilo e fui dar outra volta. Como já tinha batido o olho na parte histórica da cidade, resolvi andar no calçadão para conhecer a praia. Andei por muito tempo e descobri, depois de muitos quilômetros, que a praia por lá é divida em compartimentos. Vários arrecifes foram construídos da calçada – que está num nível pelos menos três metros mais alto que a areia – em direção ao mar. As minipraias ficam entre um e outro arrecife. Praia a perder de vista só andando muito mesmo ou indo para Recife.
O passeio estava legal, o dia estava ficando menos quente conforme escurecia, mas comecei a ficar meio incomodado com a minha situação de andarilho solitário. Tinha chegado muito empolgado, mas depois de passar o dia inteiro sozinho passeando pela cidade – não por opção, veja bem – me deixou meio abatido. Resolvi afogar as mágoas numa porção gigantesca de camarão empanado acompanhada por pouco mais de um litro de suco de cajá. Não deu muito certo. Resolvi ligar para casa. Melhorou um pouco.
À noite, não tinha nada para fazer. A maioria dos lugares estava fechado – noite de terça-feira, se eu não me engano. No albergue, os gringos que não tinham ido embora estavam dormindo – às 19h! Fui dar mais uma volta na cidade. Fiquei sentado numa praça de Olinda que fica em frente a uma faculdade. Lá estava mais agitado, mas depois de um tempo passou a ficar entediante. Deitei no banco da praça tentando esquecer. Ao fundo, uma banda de maracatu ensaiva. Voltei para o albergue umas 23h. Minha decepção com o primeiro dia da viagem era tanta que eu já pensava em encurtá-la para uns três dias, no máximo.
Do dia seguinte para frente, acabei conhecendo umas dez pessoas – uma delas inclusive porque me alertou que eu fui usado como isca para tubarão. Os passeios ficaram muito mais divertidos e resolvi que só iria embora depois de uma semana. Vamos ver se o caso se repete desta vez.
Desafio
Todas as vezes em que penso escrever nesse blog, me sinto um pouco decepcionado. Algumas vezes estou cansado demais, mas em geral me falta apetite para pensar efetivamente em histórias, comentários ou qualquer coisa literária. Não que eu seja um grande escritor, cheio de idéias sensacionais e originais, mas não lembro de ter passado tanto tempo sem cogitar escrever um texto sem ser obrigado a isso.
Resolvi então me submeter a um desafio. Escrever um texto por dia. Longo, curto, tanto faz. Desde que seja um por dia. A maioria, obviamente, não será nem um pouco brilhante. Talvez nenhum seja. Mas não gosto de tratar minha cabeça como uma amiga íntima com a qual eu não convivo mais. Inicialmente, será um por dia até o mês de junho. Se der certo até lá, prolongo. Me aguardem.
Foi ele que começou…
Tá rolando mais um bafafá relacionado a hipotecas nos EUA. Primeiro veio a bolha das hipotecas subprime, em que os bancos emprestaram dinheiro para pessoas que notoriamente teriam dificuldades para honrar a dívida e depois venderam essa dívida para outras pessoas. Os devedores não pagaram e várias pessoas que compraram a dívida se lascaram.
Agora a parte que se lascou quer recuperar pelo menos uma parte do investimento que fez nessas dívidas e está cobrando a execução das hipotecas que estão atrasadas – ou seja, querem expulsar as pessoas das casas para depois venderem o imóvel e embolsarem a grana. A questão é que recentemente foram encontradas falhas em alguns desses pedidos de execução de hipotecas, erros que incluem desde a falta de documentos que comprovem o empréstimo até solicitações de venda de imóveis que nunca foram hipotecados. A causa desses erros seria o simples fato de os bancos não terem verificado se havia algum tipo de obstáculo para o empréstimo ou para a execução da hipoteca.
Os executivos das instituições financeiras estão tentando argumentar que o problema é uma coisa banal, afinal de contas são milhares de empréstimos hipotecários, alguns apresentarão erros, obviamente. Também dizem que as execuções não devem ser bloqueadas em razão desses erros, visto que, noves fora, as pessoas continuarão devendo o dinheiro que tomaram emprestado. De fato, é verdade.
Assim como é verdade que eles emprestaram dinheiro sabendo que havia grande chance de não receberem o pagamento e venderam esse pacotão de hipotecas podres sem informar os compradores que o risco de calote era grande.
Quem será que começou o problema?
